Entrega de certificados marca conclusão de oficinas entre MIS RJ e Renascença Clube

  • 29/11/2023

Entrega de certificados marca conclusão de oficinas entre MIS RJ e Renascença Clube

Uma cerimônia repleta de sentimentos, como gratidão, satisfação e orgulho. Foi desta forma que o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e o Renascença Clube concluíram a parceria firmada com o objetivo de promover o intercâmbio de informações e experiências entre as instituições. Durante todo o mês de novembro, os participantes receberam conteúdos teóricos e práticos com foco na preservação da memória cultural, do samba e das tradições afro-brasileiras.

Os certificados de conclusão das oficinas foram entregues na sede do MIS RJ da Praça XV pelo presidente do museu, Cesar Miranda Ribeiro, com o apoio do vice-presidente do Renascença, João Carlos Martins.

"Espero que a gente possa estabelecer diretrizes para dar continuidade a esta parceria. É muito importante que nossos servidores - historiadores, museólogos, jornalistas e tantos outros - transfiram conhecimento para vocês. Hoje tivemos uma oficina enriquecedora sobre um dos principais projetos desenvolvidos no MIS RJ, os Depoimentos para a Posteridade. Ouvindo depoimentos do passado a gente percebe o quão importante é deixar um legado", afirmou o presidente do MIS RJ, convidando um representante do clube para prestar participar do projeto e deixar a história oral do Renascença salvaguardada no Museu da Imagem e do Som do Rio.

Ao todo, foram 16 horas de capacitação em atividades que aconteceram no Renascença Clube, no Andaraí, e no MIS RJ, nas sedes da Lapa e da Praça XV. Os integrantes do Renascença participaram dos encontros gratuitos com aulas ministradas pela equipe técnica de profissionais especializados do MIS RJ. A ideia era compartilhar um pouco do conhecimento do Museu da Imagem e do Som do Rio, que possui 58 anos de existência e experiência na salvaguarda e preservação de patrimônio cultural.

“Tenho um carinho de muitos anos pelo MIS RJ e hoje ter a oportunidade de estar aqui trabalhando com essa instituição é fantástico. Precisamos, cada vez mais, buscar e resguardar nossa ancestralidade, nossas raízes e o entendimento do que aconteceu no passado para que a gente possa ressignificar o presente e construir o futuro”, disse João Carlos Martins.

Os profissionais do museu colaboraram diretamente com o trabalho de preservação da história que também é feito pelo "Rena" - como o clube é carinhosamente chamado -, por meio do Centro de Memória Sebastiana Arruda. Segundo o sociólogo, percussionista e responsável pelo setor de Memórias do clube, Rogério Lucena, conhecido como Rogério Batuca, o Renascença estava carente de qualificação para que o trabalho de catalogação do acervo da instituição se tornasse mais profissional e eficiente.

“A partir das oficinas nós mudamos a forma de trabalho no clube. Conseguimos padronizar, adotar uma metodologia que será usada pelas próximas gerações. Aprendemos a importância de incluir o contexto histórico no material catalogado e também que é preciso documentar os materiais doados, com assinaturas de termos e toda a burocracia. Foram aulas muito produtivas e estamos na torcida pela manutenção desta parceria”, disse Rogério.

Outro benefício apontado pelo responsável pelo setor de Memórias do Renascença foi o recrutamento de voluntários. O responsável pelo setor de Memórias explicou que esta era mais uma necessidade para otimizar o trabalho desenvolvido pelo clube com 72 anos de existência. Fundado em 17 de fevereiro de 1951 como o primeiro clube social negro da capital fluminense, o Renascença oferece atividades de cunho social, recreativo, cultural, artístico e esportivo.

“São pessoas ligadas a áreas como museologia e arquivologia que se inscreveram e também participaram das oficinas promovidas pelo museu. A partir do conhecimento recebido do MIS RJ, esses multiplicadores deverão fortalecer o 'Rena'”, comemorou Rogério Batuca. Um dos voluntários é o fotógrafo e estudante de biblioteconomia Roberto Narciso, que já começou a atuar fazendo os registros dos eventos do clube.

“Já fiz estágio num museu e tive uma visão prévia sobre questões museológicas. Estou encantado com o que estamos aprendendo através do MIS RJ. As aulas têm sido muito enriquecedoras, especialmente para mim, pois permitem uma aproximação com o conteúdo fotográfico”, afirmou Roberto Narciso.

As atividades desenvolvidas por meio do Acordo de Cooperação Técnica envolveram pesquisa; preservação e difusão do patrimônio histórico e artístico local, regional e nacional; capacitação, consultoria e intercâmbio das equipes; ações educativas e culturais em conjunto; ações de comunicação e apoio institucional.

Sobre as oficinas no MIS RJ

As oficinas abordaram temas como documentação museológica e catalogação de acervo, ação educativa em museus e espaços culturais, metodologia para elaboração dos Depoimentos para a Posteridade e sobre o processo de pesquisa e organização do Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin. As aulas foram ministradas por profissionais renomados, como a museóloga Ana Carolina, ashistoriadoras Aline Soares e Mariana Pontim, e a jornalista Márcia Benazzi.

Oficina 1: Catalogação de acervo

A primeira foi a oficina de catalogação de acervo, com a museóloga e diretora técnica do MIS RJ, Ana Carolina Vieira, no dia 1º de novembro. Ela falou sobre as bases da museologia e da importância da documentação dos objetos, ou seja, do acervo, que transforma as coleções de museus em fonte de informações, de pesquisa ou em instrumentos para a transmissão do conhecimento.

Os principais temas abordados foram a história do MIS RJ e a formação do seu acervo, o que é documentação museológica, Metodologia de Inventário, os principais metadados dos bens culturais musealizados com base no Inventário Nacional de Bens Culturais Musealizados e Object ID, além de legislação nacional e internacional.

“A parceria com o Renascença Clube está sendo muito enriquecedora, pois os nossos acervos apresentam muitas relações, principalmente na Coleção Elizeth Cardoso. A cooperação técnica constitui um importante instrumento para capacitação e troca de experiências, via compartilhamento de técnicas, saberes, práticas e conhecimentos diversos, gerando benefícios para ambas as instituições, novos olhares e horizontes”, disse a museóloga.

Oficina 2: Ação Educativa em museus

No dia 8 de novembro, a responsável pelo Setor Acadêmico do museu, na época, Aline Soares levantou uma importante discussão acerca da relação museu e educação. Parte das análises foram feitas a partir dos exemplos realizados pelo Setor Educativo do MIS RJ, criado oficialmente em 2019.

A atividade buscou incentivar a autonomia aos educadores e profissionais de museus no desenvolvimento de habilidades de comunicação, planejamento, organização, pesquisa, apresentação, conhecimentos sobre a história, cultura, arte e outros assuntos relacionados às instituições culturais.

Oficina 3: Pesquisa no Centro de Pesquisa RCA

A historiadora e coordenadora do Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin, Mariana Pontim, recebeu os integrantes do Clube Renascença e os convidados no dia 22 para falar sobre a metodologia utilizada pelo MIS RJ para documentar e disponibilizar as informações sobre o acervo salvaguardado pelo museu, que inclui 39 Coleções e quase 600 mil itens, além dos "Depoimentos para a Posteridade", iniciado em 1966.

Mariana Pontim detalhou a pesquisa em bases de dados no Centro de Pesquisa Ricardo Cravo Albin, principalmente sua organização, banco de dados online, legislação e portarias, além do uso e reprodução do acervo.

"Estamos descobrindo muito mais pontos de intersecção entre o MIS e o Renascença: a preocupação com a história das instituições, com a memória e com a cultura popular, os artistas, intelectuais e personagens que são inestimáveis para ambas as instituições, como Elizeth Cardoso, Ruth de Souza, Haroldo Costa, Hermínio Bello de Carvalho, Sebastiana Arruda, Elza Soares e muitos outros. Isso é lindo! Particularmente, me sinto muito feliz, porque tenho convicção que o Museu está cumprindo sua função social e desempenhando seu papel educativo", pontuou a coordenadora do centro de pesquisas.

Oficina 4: Depoimentos para a Posteridade

Nesta quarta-feira (29/11), a jornalista e gerente de produção do MIS RJ, Márcia Benazzi, encantou os participantes ao descrever o processo por trás das gravações dos Depoimentos para a Posteridade, um inédito programa de história oral que teve início no MIS RJ, em 1966. Criado para preservar a memória de diversos setores da cultura nacional, tais como a música, a literatura, o cinema e as artes plásticas, atualmente o museu conta com um acervo de mais de mil depoimentos de figuras notáveis.

“Foi uma experiência incrível, a primeira aula em anos de carreira. Me surpreendi com a turma do Renascença Clube, alunos muito motivados e interessados. Os 'Depoimentos para a Posteridade', tema da oficina, contagia a todos, é sobre memória, história, cultura, pioneirismo, educação, afetos. Poder falar sobre as personalidades das mais diferentes áreas que contribuíram e contribuem para a Cultura Brasileira, e explicar que essa riqueza está preservada no MIS RJ, é motivo de orgulho e muita alegria”, revelou a jornalista Márcia Benazzi.

A proposta do curso foi apresentar a metodologia usada pelo museu e valorizar o projeto, que é uma marca da instituição. Vale lembra que as gravações onde o convidado fala de diferentes momentos de vida e de curiosidades dos bastidores da carreira ficam à disposição do público nas salas de consulta do MIS RJ.

Publicado em 29/11/2023 por Fernanda Soares


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