História da cantora Leny Eversong preservada em acervo do MIS também será contada em podcast

  • 15/05/2024

História da cantora Leny Eversong preservada em acervo do MIS também será contada em podcast

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro preserva a história de grandes nomes da arte brasileira, mesmo aqueles que marcaram época, mas acabaram ficando somente no passado. Um desses nomes é o da cantora Leny Eversong, dona de uma voz potente, cujo auge da carreira aconteceu nas décadas de 1950 e 1960. O MIS RJ salvaguarda cerca de 100 itens relacionados à artista, homenageada pelo escritor, pesquisador musical e jornalista Rodrigo Faour no livro “A incrível história de Leny Eversong ou A cantora que o Brasil esqueceu”. Na próxima semana, a participação de Faour no podcast especial sobre o tema, na sede do MIS RJ, na Lapa, já está confirmada.

Rodrigo Faour é autor de diversos títulos, como “Bastidores: Cauby Peixoto, 50 anos da voz e do mito”, que faz parte do acervo do museu, na Biblioteca Almirante. O livro é dedicado a cantores brasileiros de voz marcante. Além de Cauby, o pesquisador inclui na lista cinco grandes divas da MPB: Leny Eversong, Maysa, Lana Bittencourt, Angela Maria e Elsa Soares.

Ao ouvir, por acaso, a voz de Leny Eversong pela primeira vez, Faour começou a pesquisar a história da artista e se encantou com seu talento. Foi procurado pelo filho de Leny, que fez diversas revelações sobre a mãe, além de entregar ao pesquisador fotos e troféus, como o Roquette Pinto de melhor cantora internacional, recebido por ela em 1955.

Todo o estudo e o conhecimento adquirido sobre a artista se transformou em uma tese de mestrado e no livro “A incrível história de Leny Eversong ou A cantora que o Brasil esqueceu”, lançado em 2023. Na quarta-feira (22/05), o escritor vai dividir um pouco desse conhecimento com o público do MIS, na gravação do podcast sobre a vida de Leny Eversong, no Estúdio Chacrinha.

O conteúdo será disponibilizado na Web Rádio MIS RJ (https://www.webradio.mis.rj.gov.br/) e no Spotify nas próximas semanas. Para o presidente do MIS RJ, Cesar Miranda Ribeiro, o bate-papo será mais um registro importante para garantir que a trajetória brilhante da cantora não se apague.

“Nada mais acertado do que receber Rodrigo Faour para falar de Leny Eversong. Uma pessoa que tem propriedade para mergulhar no universo dessa mulher, que acabou tendo uma passagem emblemática pela música brasileira. Vamos aprender e reverenciar esse talento, que também tem sua história marcada no MIS por meio de tantas coleções e itens salvaguardados”, afirmou Cesar Miranda.

A maioria dos itens do acervo do museu relacionados a Leny Eversong fazem parte da Coleção Almirante, que chegou à instituição em 1964. As coleções Rádio Nacional e MIS também guardam boa parte das relíquias sobre a cantora, como os arquivos sonoros que comprovam sua potência vocal. Algumas das músicas interpretadas por ela, como “Adoro”, “Carina” e “Fascination”, poderão ser apreciadas na playlist que vai ao ar na Web Rádio MIS RJ, a partir desta quinta-feira (16/05), às 21h, permanecendo até a próxima quarta (22/05).

A seleção musical tem como base o setor sonoro do museu. Dentre as pérolas guardadas para que o Brasil e o mundo não esqueçam o talento da cantora está o disco “Um drink com Cauby e Leny”. A gravação “ao vivo” foi feita durante uma apresentação dela e de Cauby Peixoto em uma boate chamada Drink. O acervo preserva ainda um disco de cera, de 78 rpm, com músicas interpretadas por Anthony Sergi e Leny Eversong, com acompanhamento da Orquestra Columbia. “White Christmas” e “Be careful, it's my heart” são algumas das faixas, estilo fox-trote, do filme "Holiday Inn", que fazem parte do disco.

Nos 28 discos de 78 rpm salvaguardados na Coleção Rádio Nacional estão músicas como “Tangerine”, “Carioquinha”, “Oxalá”, “Ritmo do coração”, “Don’t you know”, do EP "Leny em Las Vegas", e “A Pausa que refresca”, entre muitas outras.

Todo o acervo do MIS, que integra a rede de equipamentos culturais do Governo do Estado e está vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), está à disposição do público e dos pesquisadores. Para acessar o material basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.

Sobre Leny Eversong

Hilda Campos Soares da Silva, que adotou o nome artístico de Leny Eversong, não se enquadrou em nenhum estilo musical. Esse é apenas um dos motivos apontados por especialista para que ela tenha sido quase apagada da história da música brasileira, já que seu talento é indiscutível. Outro fator marcante na trajetória da artista, cuja ascensão da carreira ocorreu no final da década de 1950, é que Leny interpretava músicas em diversos idiomas. Chegou a cantar em inglês, ao lado de ídolos como Elvis Presley, além de gravar um LP com Frank Sinatra, conquistando os americanos com sua voz poderosa do grave ao agudo. Na época, foi apontada como uma artista que não valorizava a cultura do seu país.

O preconceito contra pessoas que não se encaixavam no padrão de beleza da época foi mais um ponto em desfavor de Leny Eversong. Como uma mulher acima do peso, ela não tinha a aparência desejada pelo público. Durante toda a sua trajetória artística, o sobrepeso foi destaque nas participações da cantora em programas de rádio e TV. Seu primeiro grande contrato foi com a Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, após chamar a atenção de Assis Chateaubriand durante uma participação na inauguração da Rádio Mundial, em 1955.

A carreira inclui ainda a atuação como atriz. Leny foi protagonista do filme “O Santo Módico”. As gravações aconteceram na Bahia, e a produção contou com trilha sonora com sucessos de Tom Jobim, Luiz Bonfá e Baden Powel, interpretados pela atriz principal.

O desaparecimento do marido, que teria sido confundido com um militante sindicalista na época do Regime Militar, foi decisivo para que a voz de Leny fosse calada. Ela já não frequentava mais os programas de rádio e TV, e morreu pobre, em 1984, por complicações do diabetes aos 63 anos.

Publicado em 15/5/2024 por Fernanda Soares


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