DAIANE LOPES E ELIANE VILELA REVELAM OS BASTIDORES DA CURADORIA DA EXPOSIÇÃO HERANÇAS: 150 ANOS DA IMIGRAÇÃO ITALIANA NO BRASIL

  • 21/06/2024

DAIANE LOPES E ELIANE VILELA REVELAM OS BASTIDORES DA CURADORIA DA EXPOSIÇÃO HERANÇAS: 150 ANOS DA IMIGRAÇÃO ITALIANA NO BRASIL

Faltam apenas alguns dias para cariocas e fluminenses conhecerem a exposição "Heranças: 150 anos da imigração italiana no Brasil". Na próxima terça (25), as portas do MIS RJ estarão abertas para receber com muito carinho o público.

Mas como foi a organização da exposição? Qual o conceito? E os desafios? Como a criatividade superou as dificuldades do projeto? Para responder essas questões, a Web Rádio MIS RJ entrevistou as duas curadoras: Daiane Lopes, historiadora, responsável pelo setor iconográfico e Eliane Vilela, museóloga, responsável pelos setores de partituras, textual e tridimensional do museu.

Web Rádio - Daiane, como foi a missão do projeto da exposição?

- Foi prazerosa e desafiadora. O presidente do MIS RJ, Cesar Miranda Ribeiro, fez o convite a mim e à minha colega Eliane, dizendo assim: em 2024, completamos os 150 anos da imigração italiana no Brasil, e eu quero muito fazer uma exposição que desse conta dessa história, temos acervo do MIS para isso? O desafio, de cara, é que o nosso acervo é centrado, majoritariamente, do século XX para frente, e uma das datas que servem como marco histórico da imigração italiana é o ano de 1874, do século XIX.

Web Rádio - E como se resolveu essa questão primordial?

- Expliquei para o presidente Cesar que poderíamos abraçar essa ideia, mesmo sem termos o acervo do século XIX. E fiz a seguinte colocação: temos algo muito diferente para montar essa narrativa que são as heranças desses grandes imigrantes que vieram para o Brasil desbravar e enriquecer a nossa cultura. Então, a gente tem, acervos desses descendentes dessas primeiras famílias, que desbravaram e ajudaram a construir o que hoje a gente entende do que é ser brasileiro, o que é ser carioca, e a gente pode partir dessas heranças. Com isso, eu e a Eliane partimos desse princípio, de fazer uma curadoria que desse conta na literatura, arquitetura, gastronomia, cinema, na música que é um dos nossos pilares aqui no MIS RJ, pra mostrar o quão a união Brasil Itália foi frutífera, e o quanto a gente tem de italiano em nós.

Web Rádio - Eliane, gostaria que você explicasse sobre os desafios na parte da montagem: pesquisa, levantamento e coleta de material?

- Nessa coleta de dados, partimos para pesquisar os descendentes de italianos. E aí, fomos descobrindo coisas interessantes, tendo surpresas no meio do caminho. Uma delas, inclusive que eu nunca tinha parado para pensar nisso, foi justamente o nosso primeiro diretor, o Maurício Quadrio, que era italiano. Tivemos a percepção que o MIS RJ teve uma ligação muito forte com a Itália a partir da sua criação. A partir disso, ficamos mais empolgadas ainda para achar outras personalidades. Quando a gente fechou esse levantamento, nós tínhamos 21 pessoas descendentes de italianos, no acervo do MIS, nessas áreas que a Daiane falou: arquitetura, literatura, música, etc. O primeiro prédio do MIS foi projeto de um arquiteto italiano, Silvio Rebecchi, para a Exposição de 1922. Então, temos mais essa ligação materializada no nosso prédio, além das personalidades, a gente tem a materialidade italiana incisa no MIS, na sede histórica e centenária, então isso é muito importante. Mesmo não tendo acervo lá do início da imigração, eu considero esse acervo que a gente tem mega importante e que tem que ser conhecido por todos. E os desafios foram vencidos com criatividade! A gente chegou a uma materialização dessa concepção, lúdica, divertida e que vai chamar a atenção, para que as pessoas queiram saber mais sobre essa história da imigração italiana no Brasil.

Web Rádio - Às vésperas da inauguração, vocês podem dizer se atingiram o objetivo desejado?

Eliane - Sim! Nós atingimos o nosso objetivo inicial, mesmo com todos os desafios, a gente sempre teve um Plano B. Conseguimos dar conta de todas as intercorrências que surgiram, que acontecem naturalmente num trabalho. Mas, a gente conseguiu chegar ao nosso objetivo que é mostrar essa conexão entre os dois povos, entre as duas nações, e que se fez muito bem e que está até hoje solidificada, enraizada em nós.

Daiane - Olha, não só atingiu, como eu estava falando para a Eliane, superou as expectativas, porque foi um tema desafiador pela falta de material do século XIX, mas conseguimos com o nosso acervo montar uma exposição que tem um diferencial, e a gente fica muito feliz! A nossa proposta sempre foi apresentar uma exposição que instigasse e afetasse, no melhor dos sentidos, no espectador a sensação de querer saber mais, de se sentir partícipe. A gente não queria uma exposição distante, queria afetar, trazer esse público, aumentar o nosso público. Entre realidade e expectativa foi muito gratificante. Que a falta, na verdade, transformou a construção da narrativa e do espaço expositivo em algo novo, porque saiu do senso comum, de contar mais uma vez essa história. A falta trouxe pra gente um certo ineditismo na forma de contar, então isso foi muito bom. Nesse sentido, o MIS é muito rico porque tem esse material salvaguardado das heranças, dos depoimentos, do quanto que a gente é italiano, do quanto a equipe é italiana.

Eliane - É uma exposição que não é só de dentro, ela vai de dentro para fora, e à partir dos funcionários que deram seus depoimentos sobre os seus descendentes, as pessoas que vierem para a exposição e forem descendentes, elas vão se sentir pertencentes a nossa exposição também, ao que a gente está falando, elas vão se sentir conectadas com a nossa narrativa expositiva.

Web Rádio - Para encerrar a nossa conversa peço que façam um convite para o público carioca e fluminense.

Daiane - A gente pede que por favor todos venham, a exposição está muito bonita, embora eu seja suspeita de falar isso como curadora, eu acho que todo mundo vai gostar. A gente tentou no espaço que temos abordar vários temas e acho que vai ser bacana, vai ter sempre um efeito surpresa, caramba, olha isso veio da Itália, nossa esse artista começou a carreira cantando em italiano.

Eliane - O bom é instigar, nós vamos ficar muito felizes de receber o público aqui para descobrir coisas novas sobre esse tema, e se sentir instigado a saber mais. Poxa, o Jerry Adriani começou cantando em italiano com a avó? Eu não sabia disso, digamos, que a pessoa goste do Jerry Adriani. Mexer com a emoção. A gente quer mexer mais com o coração do que com a cabeça das pessoas porque aí fica na memória.

Anote essa data, marque na agenda, caro leitor, próxima terça(25/6), venha participar dessa jornada ítalo-brasileira e se encantar com a exposição "Heranças:150 anos da imigração italiana no Brasil". No Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, sede Lapa, Rua Visconde de Maranguape, nº 15, das 10h às 17h, entrada gratuita.

Publicado em 21/06/2024 por Márcia Benazzi, neta do imigrante italiano, Gaetano Benazzi.


#Compartilhe

Aplicativos


Programa no Ar

Pérolas do MIS

top1
1. Piove (Chove)

Marlene

top2
2. Per Amore (Por Amor)

Zizi Possi

top3
3. Poema degli occhi

Toquinho, Sergio Endrigo

top4
4. Umilmente-ti-chiedo-perdono

Jerry Adriani

top5
5. Italiana

Carlos Galhardo

Oferecimento